Como se tornar um tradutor-intérprete de língua de sinais internacional?
Se você é uma pessoa surda, ou trabalha com a produção de eventos e materiais específicos para pessoas surdas, sabe que a Língua Brasileira de Sinais é apenas 1, dentre as mais de 300 existentes.
Essa questão se amplifica, se estivermos pensando em pessoas surdas de diferentes países. Um tradutor-intérprete de Libras não sabe a língua de sinais de outros países.
A situação se complica, ainda mais, se consideramos que, dentro de um único idioma existem diferentes línguas de sinais.
Ou seja, alguém que aprende Libras não sabe, necessariamente, a Língua Gestual Portuguesa ou a Língua Gestual Angolana.
Logo, qual é o caminho para a comunicação internacional de pessoas surdas? Qual língua estudar, para se comunicar com surdos, mundo afora? Qual língua utilizar para fazer a interpretação simultânea em língua gestual, em eventos internacionais?
Sinais Internacionais ou Gestuno? Como se comunicar com estrangeiros surdos?
Leigos em comunicação gestual, provavelmente, já ouviram falar do Gestuno.
Porém, o Gestuno não é uma língua, do ponto de vista linguístico, uma vez que ele não tem um sistema gramatical próprio, igual às línguas de sinais nacionais.
Na verdade, o Gestuno é uma convenção social, que começou a ser desenvolvida no Primeiro Congresso da Federação Internacional de Surdos (no original WFD), em Roma, em 1951.
Paralelamente, temos também os Sinais Internacionais. Os SI foram adotados pela WFD a partir de 1987.
Esses consistem de diversos sinais tirados de línguas gestuais de várias partes do mundo, e foram pensados, justamente, como uma maneira de incluir pessoas surdas, em situações envolvendo diferentes nacionalidades.
Logo, com pessoas surdas de outros países, o mais adequado é usar tanto o Gestuno, quanto o SI.
O que estudar para ser um tradutor-intérprete?
Primeiro, entenda o conceito de tradutor-intérprete.
A transposição dos significados de uma língua para outra é uma tradução. Quando isso acontece simultaneamente à fala, é uma interpretação.
Considerando que a língua de origem tem singularidades inexistentes na língua de chegada, o ato performado é uma interpretação.
Basta pensarmos em uma expressão idiomática: por exemplo, “Chover canivetes”. Para a expressão ser transposta para outra língua, mantendo o sentido, o tradutor precisa interpretar ela.
Isso acontece quando o intérprete de Libras está gesticulando conforme alguém está falando. Essa dupla habilidade – compreender e interpretar em uma língua; simultaneamente, transmitir ela em outra – é desenvolvida em cursos de interpretação simultânea.
A tradução simultânea em línguas gestuais
Para você ser um tradutor-interprete de línguas gestuais internacionais, ter fluência em Gestuno e SI é essencial. Você precisa saber usar e compreender as três línguas – Libras, Gestuno e SI – com naturalidade e dinamismo.
Posteriormente, estude tradução simultânea de Libras. Entenda a gramatica da língua, a forma como ela se sistematiza, a forma como ela se relaciona cultural e gramaticalmente com o Português.
Os estudos de tradução simultânea de Gestuno e SI para Libras começam, apenas, quando você conseguir fazer tradução simultânea de Português para Libras com perfeição.
O caminho é longo e árduo – mas será recompensador.