Dúvidas de gramática: Chiquíssimo ou chiquérrimo, existe certo e errado?
Qual a forma correta?

A língua portuguesa é rica em nuances e peculiaridades que frequentemente geram dúvidas entre as pessoas. Uma questão que costuma intrigar muitos brasileiros é o uso correto do superlativo de “chique”: seria “chiquíssimo” ou “chiquérrimo”? Esta dúvida gramatical não apenas reflete a complexidade do nosso idioma, mas também revela como o uso popular pode, por vezes, desafiar as normas estabelecidas. Afinal, é chiquíssimo ou chiquérrimo?
A origem da palavra “chique”
Antes de abordarmos o superlativo, é importante entender a origem e o significado da palavra “chique”. Originária do francês “chic”, esta palavra entrou para o vocabulário português no século XIX, trazendo consigo a ideia de elegância, refinamento e distinção. Com o tempo, “chique” se tornou um adjetivo utilizado no Brasil para descrever pessoas, objetos ou situações que transmitem sofisticação e bom gosto.
Evolução semântica
A evolução semântica de “chique” no português brasileiro é de destaque:
- Inicialmente, era usado principalmente para descrever a moda e o vestuário.
- Gradualmente, expandiu-se para caracterizar comportamentos e atitudes.
- Hoje, pode ser aplicado a uma variedade de contextos, desde ambientes até experiências.
Variações regionais
É interessante notar que o uso de “chique” pode variar ligeiramente entre as regiões do Brasil:
- No Sudeste, é comum ouvir “chique” em referência a eventos sociais elegantes.
- No Nordeste, pode ser usado para descrever algo impressionante ou surpreendente.
- No Sul, às vezes é substituído por termos como “bacana” ou “legal” em contextos mais informais.
O grau superlativo absoluto sintético
Para compreender a questão “chiquíssimo ou chiquérrimo”, é fundamental entender o conceito de grau superlativo absoluto sintético. Este grau é utilizado para expressar uma qualidade em seu nível máximo, sem comparação com outros elementos.
Formação do superlativo
Na língua portuguesa, o superlativo absoluto sintético é geralmente formado de duas maneiras:
- Adicionando o sufixo “-íssimo” à forma básica do adjetivo.
- Em alguns casos, utilizando sufixos especiais como “-érrimo” para certos adjetivos.
Regras gerais
As regras para a formação do superlativo incluem:
- Adjetivos terminados em vogal geralmente perdem essa vogal antes de receber o sufixo.
- Adjetivos terminados em “z” mudam para “c” antes do sufixo.
- Alguns adjetivos têm formas irregulares ou eruditas.
Chiquíssimo ou chiquérrimo?
“Chiquíssimo” é considerada a forma padrão e gramaticalmente correta para o superlativo de “chique”. Esta formação segue a regra geral de adição do sufixo “-íssimo” ao adjetivo.
Justificativa gramatical
A preferência por “chiquíssimo” baseia-se em:
- Conformidade com as regras gramaticais padrão.
- Reconhecimento nos dicionários e gramáticas oficiais.
- Uso consistente em textos formais e acadêmicos.
Exemplos de uso
Vejamos alguns exemplos do uso correto de “chiquíssimo”:
- “O novo restaurante no centro da cidade é chiquíssimo!”
- “Ela estava chiquíssima na festa de gala com aquele vestido longo.”
- “O design minimalista do apartamento é chiquíssimo e moderno.”
Chiquérrimo: a forma popular
Embora “chiquérrimo” não seja considerado gramaticalmente correto, é inegável sua popularidade no uso cotidiano do português brasileiro. Esta forma surgiu da analogia com outros superlativos que utilizam o sufixo “-érrimo”.
Origem da variação
A criação de “chiquérrimo” pode ser atribuída a:
- Influência de superlativos eruditos como “paupérrimo” e “celebérrimo”.
- Tendência natural dos falantes em criar padrões e regularidades na língua.
- Percepção de que “-érrimo” soa mais enfático ou expressivo.
Aceitação no uso informal
Apesar de não ser reconhecido formalmente, “chiquérrimo” é amplamente aceito em contextos informais:
- Conversas cotidianas entre amigos e familiares.
- Mídias sociais e comunicação online.
- Publicidade e marketing, buscando um tom mais descontraído.
A batalha dos superlativos
A coexistência de “chiquíssimo” e “chiquérrimo” ilustra perfeitamente o embate entre o uso popular e as normas gramaticais. Este fenômeno não é exclusivo deste caso e reflete a natureza dinâmica da língua.
Fatores que influenciam o uso
Diversos fatores contribuem para a preferência por uma ou outra forma:
- Nível de formalidade da situação.
- Background educacional e social do falante.
- Região geográfica e influências culturais.
- Meio de comunicação (oral ou escrito).
Perspectivas linguísticas
Linguistas e gramáticos têm visões diferentes sobre este fenômeno:
- Alguns defendem a estrita aderência às normas gramaticais.
- Outros argumentam que o uso generalizado pode legitimar novas formas.
- Há quem proponha uma abordagem contextual, aceitando ambas as formas em diferentes situações.