Mario Quintana – quem é e contribuição à literatura
Com sua poesia sensível, irônica e atemporal, ele foi um grande nome.

Mario Quintana foi um dos mais emblemáticos poetas brasileiros do século XX. Com uma escrita delicada, irônica e profundamente humana, ele conquistou gerações de leitores ao transformar o cotidiano em poesia. Nascido em Alegrete, no Rio Grande do Sul, Quintana começou sua trajetória literária como tradutor, mas foi com seus versos líricos e acessíveis que se firmou como um dos grandes nomes da literatura nacional.
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Sua obra, marcada por reflexões sobre o tempo, a infância, o amor e a morte, contribuiu para popularizar a poesia e torná-la parte do dia a dia de muitas pessoas. Mais do que poeta, Mario Quintana foi um cronista da alma humana — simples, sensível e eterno.
Quem foi o autor Mario Quintana?
Mario Quintana, nascido em 1906 e falecido em 1994, destacou-se não apenas como poeta, mas também como tradutor. Sua estreia no mundo literário aconteceu em 1938, com a publicação de A Rua dos Cataventos. Ao longo de sua trajetória, foi agraciado com importantes prêmios, como o Fernando Chinaglia, o Machado de Assis e o Jabuti. Também recebeu diversas homenagens, incluindo o título de cidadão honorário de Porto Alegre, a medalha Negrinho do Pastoreio e o reconhecimento como doutor honoris causa por instituições como a UFRGS, a Unicamp e a UFRJ.
Embora inserido na segunda fase do modernismo brasileiro (1930–1945) — período marcado por uma maior liberdade de forma e reflexões sobre a realidade social e existencial —, Quintana desenvolveu uma voz poética bastante singular. Sua escrita se destaca pela leveza, pelo tom irônico e pela habilidade de tratar temas profundos com simplicidade e delicadeza.
Em 1966, Mario Quintana foi agraciado com o Prêmio Fernando Chinaglia por sua Antologia Poética, considerada a melhor publicação do ano. No ano seguinte, foi reconhecido como cidadão honorário de Porto Alegre. Textos de sua coluna “Caderno H”, iniciada em 1943 na Revista Província de São Pedro e, posteriormente, no jornal Correio do Povo, também de Porto Alegre, foram reunidos em um volume homônimo lançado em 1973.
Em 1976, recebeu a medalha Negrinho do Pastoreio, distinção concedida pelo governo do Rio Grande do Sul. Quatro anos depois, em 1980, a Academia Brasileira de Letras o homenageou com o Prêmio Machado de Assis, em reconhecimento a todo o seu legado literário. Em 1981, foi a vez do Prêmio Jabuti, na categoria Personalidade Literária do Ano.
A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) conferiu-lhe o título de doutor honoris causa em 1982. Mais tarde, em 1989, a honraria foi concedida também pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Já em 1983, o antigo Hotel Majestic — onde Quintana viveu de 1968 a 1980 — foi transformado na Casa de Cultura Mario Quintana, em sua homenagem.
Além de sua produção poética, Quintana se destacou como tradutor, tendo vertido para o português obras de autores renomados como Marcel Proust, Virginia Woolf e Voltaire. Mesmo após sua morte, em 5 de maio de 1994, sua influência permaneceu viva; alguns de seus textos foram publicados na revista literária Liberté, do Canadá, naquele mesmo ano.
Características da obra de Mario Quintana
A poesia de Mario Quintana foge a classificações rígidas dentro dos estilos literários tradicionais; no entanto, costuma ser relacionada à segunda fase do Modernismo brasileiro. Essa etapa, também chamada de “fase de reconstrução”, marca um afastamento das releituras históricas da geração anterior e foca na análise do mundo contemporâneo. Essa abordagem, muitas vezes, expressa um conflito interior, em meio a um contexto de crises políticas e guerras, que colocam em xeque antigas crenças religiosas.
Com a liberdade proporcionada pela ruptura com os padrões clássicos, os poetas desse período passaram a explorar diferentes formas poéticas — desde os versos livres (sem rima ou métrica) até os versos brancos ou mesmo os estruturados com rima e métrica regulares.
Segundo J. C. Pozenato, Quintana foi o primeiro poeta gaúcho a retratar com lirismo a vida urbana e o cotidiano provinciano. Já a pesquisadora Regina Zilberman destaca a influência do Simbolismo em sua formação poética, algo que se mantém presente ao longo de sua obra. Zilberman observa ainda que o poeta sempre prezou por manter-se independente de escolas literárias, adotando um posicionamento mais pessoal e afastado da padronização imposta pela sociedade moderna.
De maneira geral, a poesia de Mario Quintana se destaca pelo uso do humor, da simplicidade e de uma sensibilidade particular. Formalmente, ele transita entre diferentes estruturas poéticas, alternando entre versos livres e composições mais tradicionais, como os sonetos.
Mycarla Oliveira, especialista em língua portuguesa, no portal Pensar Cursos, também detalha sobre “Redação: principais conectivos para o texto (com tipos)“, pois dominar o uso dos conectivos é essencial para garantir coesão e coerência em qualquer redação, seja no ENEM, em concursos ou na produção de textos acadêmicos.