Só português – a palavra “que” e suas funções sintáticas

Aprenda a identificá-las com explicações e exemplos claros!

A palavra “que” é uma das mais versáteis da língua portuguesa, desempenhando diversas funções sintáticas dentro de uma oração. Dependendo do contexto, pode ser pronome, conjunção, advérbio, partícula expletiva, entre outras possibilidades. Sendo assim, essa flexibilidade muitas vezes gera dúvidas, tornando essencial compreender seu papel em cada situação.

Leia também: Orações coordenadas e orações subordinadas: tem diferença? Tem, sim!

É por isso que, hoje, vamos explorar as diferentes funções sintáticas do “que”, com exemplos práticos para facilitar o entendimento. Fique atento às dicas!

Quais são as funções sintáticas de “que”?

A palavra “que” é um dos termos mais versáteis da língua portuguesa, podendo assumir diferentes funções sintáticas conforme o contexto em que está inserida. Dependendo da sua posição e do significado que carrega na construção dos enunciados, “que” pode atuar como conjunção, pronome, advérbio, substantivo, preposição, interjeição ou até mesmo como uma partícula de realce. Vamos explorar cada uma dessas funções com exemplos para facilitar a compreensão.

1. Conjunções

a) Conjunção coordenativa explicativa

Utilizada para unir duas orações coordenadas, sendo que a segunda oração apresenta uma justificativa ou explicação para a primeira.

Exemplo:

  • Não insista, que eu não lhe emprestarei dinheiro!

(A segunda oração justifica a negativa expressa na primeira.)

b) Conjunção coordenativa aditiva

Empregada para conectar duas orações coordenadas, em que a segunda adiciona uma informação à primeira.

Exemplo:

  • Elas reclamavam que reclamavam, até que, finalmente, foram atendidas.

(A repetição enfatiza a ideia de persistência na reclamação.)

c) Conjunção coordenativa alternativa

Liga orações coordenadas que expressam alternativas ou opções.

Exemplo:

  • Uma que outra roupa servia-lhe perfeitamente.

(A expressão sugere que algumas roupas serviam, enquanto outras não.)

d) Conjunção subordinativa substantiva

Relaciona a oração principal com uma subordinada substantiva, que pode desempenhar diversas funções dentro da oração, como sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, predicativo ou aposto.

Exemplo:

  • Parece que vai chover.

(A oração “que vai chover” desempenha o papel de sujeito do verbo “parece”.)

e) Conjunção subordinativa causal

Estabelece uma relação de causa entre a oração subordinada e a principal.

Exemplo:

  • Ele nunca me visita, que o trabalho o impede de viajar por muito tempo.

(A oração subordinada expressa o motivo da ausência.)

f) Conjunção subordinativa consecutiva

Indica uma consequência da ação expressa na oração principal.

Exemplo:

  • Ele ficou tão enciumado que mandou desligar o telefone.

(A consequência do ciúme foi a decisão de desligar o telefone.)

g) Conjunção subordinativa concessiva

Introduz uma ideia de concessão, ou seja, algo que acontece apesar de uma circunstância contrária.

Exemplo:

  • Relevante que seja esta informação, não me interessa.

(Apesar da relevância da informação, ela não interessa ao falante.)

h) Conjunção subordinativa comparativa

Estabelece uma relação de comparação entre duas ideias.

Exemplo:

  • Viajar de avião é mais prazeroso do que viajar de carro.

(A viagem de avião é comparada à de carro.)

i) Conjunção subordinativa final

Indica finalidade ou objetivo da ação expressa na oração principal.

Exemplo:

  • Vamos torcer, que a economia melhore.

(A oração subordinada expressa o objetivo da torcida.)

2. Pronomes

j) Pronome relativo

Inicia uma oração subordinada adjetiva, substituindo um termo anterior e exercendo uma função dentro da oração.

Exemplo:

  • Gosto de pessoas que tenham bom humor.

(O pronome “que” retoma “pessoas” e introduz uma característica delas.)

k) Pronome interrogativo

Utilizado em perguntas diretas ou indiretas, podendo exercer diferentes funções sintáticas dentro da oração.

Exemplo:

  • Queremos entender o que você quis realmente dizer naquele momento.

(O pronome “que” é o núcleo do objeto direto do verbo “entender”.)

l) Pronome indefinido

Aparece em expressões exclamativas, qualificando um substantivo de forma indefinida.

Exemplo:

Que notícia maravilhosa você acaba de me dar!

(O “que” intensifica a exclamação sobre a notícia recebida.)

Só português – a palavra "que" e suas funções sintáticas (Foto: Unsplash).
Só português – a palavra “que” e suas funções sintáticas (Foto: Unsplash).

3. Outras funções

m) Substantivo

Quando escrito com acento circunflexo (“quê”), assume a função de substantivo e pode indicar algo indefinido ou um traço característico de algo.

Exemplo:

  • Essa pintura tem um quê de Picasso.

(O termo “quê” atua como núcleo do complemento nominal “de Picasso”.)

n) Advérbio

Utilizado como intensificador, modificando adjetivos ou outros advérbios.

Exemplo:

  • Que inocente fui em acreditar em suas juras de amor!

(O advérbio “que” intensifica o adjetivo “inocente”.)

o) Preposição

Em linguagem informal, pode equivaler à preposição “de” ou assumir o valor de preposições acidentais como “salvo”, “exceto” e “senão”.

Exemplo:

  • Temos que (=de) estudar para as provas.
  • Compareceu à reunião sem outras justificativas que (=senão) as apresentadas anteriormente.

p) Interjeição

Usado para expressar surpresa, espanto ou indignação.

Exemplo:

  • Quê! Tal medida é absurda!

(A interjeição “quê” indica espanto diante da medida mencionada.)

q) Partícula de realce

Empregada para dar ênfase a uma expressão, sem exercer papel sintático essencial na oração.

Exemplo:

  • Que saudades que eu tenho dos nossos momentos juntos!

(O segundo “que” pode ser retirado sem comprometer o sentido da frase.)

Entendendo as funções de “que”

A palavra “que” é um dos elementos mais versáteis da língua portuguesa, desempenhando uma ampla variedade de funções dependendo do contexto. Seu uso pode alterar significativamente o significado de uma oração, tornando essencial sua correta identificação e interpretação. Seja como conjunção, pronome, advérbio, substantivo ou interjeição, o “que” é uma peça-chave para a construção da comunicação escrita e oral.

 

Mycarla Oliveira, especialista em língua portuguesa, no portal Pensar Cursos, também detalha sobre “10 dicas de ouro para se garantir na interpretação de texto“, pois a interpretação de texto é uma habilidade essencial para a vida acadêmica, profissional e até para o dia a dia.

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.